domingo, 18 de outubro de 2026

A CORAGEM DE MUDAR DE IDEIA

Há quase dois séculos, Percy Bysshe Shelley escreveu um dos poemas mais conhecidos da literatura inglesa, Ozymandias. Nele, um viajante encontra, no meio de uma paisagem desértica, os restos de uma enorme estátua. O rosto está despedaçado, o corpo desapareceu e, próximo às ruínas, permanece apenas a inscrição que pretendia anunciar a grandeza do poderoso homem representado. A ironia do poema está justamente no contraste entre aquilo que o homem desejava eternizar e aquilo que o tempo efetivamente preservou. Ozymandias queria que sua grandeza permanecesse intacta, mas o tempo transformou o monumento erigido em sua homenagem em ruínas. Essa imagem nos oferece uma poderosa porta de entrada para pensarmos nossa relação com a mudança. 

Nossa identidade não é construída de uma vez e depois preservada intacta; ela se forma continuamente no contato com o mundo, nas relações que estabelecemos, nos ambientes que frequentamos e nas diferentes esferas sociais pelas quais transitamos ao longo da vida. Somos atravessados, a todo momento, por novas experiências, ideias, valores e perspectivas, e cada uma delas participa, em maior ou menor medida, daquilo que nos tornamos. Viver é, portanto, estar em permanente transformação. 

A contradição está no fato de que, embora nossa formação seja dinâmica, existe uma expectativa social de que mantenhamos uma certa integridade. Talvez seja justamente por isso que mudar de ideia nos pareça tão difícil. Algumas opiniões, princípios e modos de agir deixam de ocupar o lugar de simples convicções e passam a integrar a própria imagem que construímos de nós mesmos, tornando-se referências por meio das quais nos reconhecemos e nos fazemos reconhecer pelos outros. Mudar, dentro desta perspectiva, adquire uma dimensão que ultrapassa a simples revisão de uma ideia e se aproxima de uma verdadeira ruptura com a pessoa que acreditávamos ser.

 Mas é preciso distinguir a incoerência da transformação. Ao longo da vida, mudamos porque somos expostos a novas experiências, adquirimos conhecimentos que antes não possuíamos e passamos a enxergar de outra maneira aquilo que anteriormente nos parecia evidente. Essa transformação pode decorrer do reconhecimento de um erro, mas também pode simplesmente resultar do amadurecimento proporcionado pelo tempo e pelas circunstâncias que atravessamos. Esperar que alguém permaneça exatamente a mesma pessoa, sempre, em nome de uma suposta coerência, significa ignorar o poder da experiência como elemento de formação. Mudar, nesse sentido, não representa necessariamente uma ruptura com aquilo que fomos, mas uma consequência legítima do próprio processo de nos tornarmos quem somos. 

É justamente nesse ponto que precisamos rever o significado de coerência. Se somos constituídos por nossas experiências ao longo da vida, ser coerente não pode significar conservar intactas as mesmas ideias e posições. Em tempos marcados pela fluidez e pela transformação, talvez a coerência esteja na disposição para continuar aprendendo, para continuar desenvolvendo o pensamento crítico e, mais do que isso, no reconhecimento, com humildade, de que jamais saberemos tudo. Ser coerente, portanto, assume uma perspectiva de encarar como integridade a disposição de se abrir ao conhecimento do novo, mesmo quando isso exige rever a si mesmo. 

É nesse sentido que Ozymandias retorna à nossa reflexão. O rei quis eternizar a própria grandeza, mas tudo que restou foram ruínas. Também nós podemos transformar nossas convicções em monumentos, erguendo com elas uma imagem de quem somos e que não admite revisão.

 Ao insistimos em defender nossas posições, mesmo diante de evidências que as contradizem, deixamos de exercer a capacidade crítica que deveria orientar nossa condição humana e nos tornamos prisioneiros das próprias certezas, mais comprometidos com a preservação de nossa imagem do que com a compreensão da realidade.

 Em tempos de polarização, discursos inflamados e convicções frequentemente sustentadas mais pela força da repetição do que pela solidez dos argumentos, talvez precisemos reconhecer, humildemente, o Ozymandias que existe em cada um de nós. A coragem de mudar de ideia está justamente em aceitar que nossas convicções não são eternas e admitem contestação. Afinal, se até reis poderosos descobriram que não podiam impor sua grandeza ao tempo, por que haveríamos de exigir que nossas opiniões fossem poupadas da realidade?

G. P. Silva Rumin

domingo, 13 de setembro de 2026

ESTAMOS COM PRESSA DEMAIS ATÉ PARA COMPREENDER?

Há algum tempo, assisti a um vídeo no TikTok em que um criador de conteúdo mostrava a capa dos sessenta livros que havia lido desde o início do ano. O que me chamou a atenção não foi apenas a quantidade, mas a maneira como aquela informação parecia funcionar como uma espécie de indicador de desempenho. A pergunta que veio à minha mente não foi sobre os títulos lidos ou sobre o que aquelas leituras haviam provocado no influenciador, mas sobre como alguém conseguiria ler e compreender tantos livros em tão pouco tempo. 

Talvez essa seja uma das reflexões mais importantes que devemos fazer sobre os tempos atuais, em que tudo parece ser medido pelo critério da velocidade. É inegável que o desenvolvimento tecnológico nos proporcionou ferramentas extraordinárias para economizar tempo, mas também é forçoso reconhecer que essa velocidade acabou se transformando em um critério para definir competência e status. Uma tarefa é considerada bem executada quando realizada rapidamente; uma resposta imediata aparenta eficiência; uma pessoa capaz de desempenhar múltiplas funções é vista como produtiva e competente. 

Mas essa visão tem ultrapassado os limites das relações de trabalho e invadido outras esferas do agir humano. Estamos nos forçando a estudar, aprender, ler, resolver conflitos e até descansar apressadamente, tudo impulsionado pela lógica da competição que a vida nas redes sociais estimula. Quando vemos alguém mostrar em seu status a leitura de dez livros, somos tomados pela sensação de que estamos ficando para trás; quando assistimos a vídeos de pessoas exibindo uma conciliação possível entre carreira, exercícios, viagens, estudos e vida social, imediatamente podemos ser tomados pela sensação de ineficiência. 

O problema é que existem atividades que não podem ser aceleradas sem que alguma coisa essencial seja perdida. O aprendizado, por exemplo, não acontece apenas porque conseguimos consumir mais informações em menos tempo, assim como ler não significa simplesmente chegar ao final de um livro. Existe uma diferença crucial entre consumir e assimilar, e a dificuldade de reconhecer essa diferença acaba comprometendo nossa capacidade de interpretação, não somente de textos, mas também de contextos. 

E aqui voltamos à reflexão sobre a história do influenciador que leu sessenta livros desde o início do ano. Um texto não é apenas aquilo que suas palavras dizem isoladamente. Existe contexto, ironia, referência, ambiguidade e intenção. Algumas frases precisam ser relidas; determinadas ideias só podem ser compreendidas quando sabemos o que veio antes. E a literatura, particularmente, exige essa disposição para permanecer diante de algo que não se revela imediatamente. Quando a velocidade passa a ser o principal critério de consumo, porém, essa característica da literatura pode se tornar um obstáculo: textos mais complexos exigem maior dedicação, enquanto conteúdos fragmentados e de assimilação rápida parecem se adequar melhor ao ritmo que incorporamos ao cotidiano. 

A consequência é um círculo que se retroalimenta, pois quanto mais nos habituamos a consumir conteúdos rápidos e de baixa complexidade, menor pode se tornar nossa disposição para enfrentar textos que exigem concentração, interpretação e reflexão. Ao mesmo tempo, quanto mais valorizamos aquilo que pode ser consumido rapidamente, maior se torna a demanda por conteúdos que atendam a essa expectativa. A velocidade deixa, assim, de ser apenas uma característica do modo como consumimos informação e passa a influenciar aquilo que esperamos encontrar quando lemos. 

É justamente por isso que a pergunta que fiz diante daquele vídeo não deveria ser quantos livros alguém consegue ler em um ano, mas o que acontece com aquilo que lemos depois que fechamos o livro. Não há nada de errado em ler sessenta livros, assim como não há mérito ou demérito em ler apenas dez. A quantidade pode ser um dado interessante, mas não revela aquilo que realmente importa: o quanto compreendemos, refletimos e fomos transformados por aquilo que lemos. O aprendizado não é uma atividade que possa ser mensurada exclusivamente pela quantidade de informações acumuladas ou pela velocidade com que conseguimos consumi-las. 

Precisamos, portanto, estabelecer algum limite para essa lógica de aceleração. Nem tudo precisa ser feito depressa, e algumas das experiências mais importantes da vida dependem justamente do tempo que estamos dispostos a dedicar a elas. Ler exige tempo para interpretar; estudar, para assimilar; e até mesmo o lazer perde parte de seu sentido quando passa a ser encarado como mais uma atividade que precisa ser otimizada. Há experiências que não precisam produzir, ensinar ou gerar resultados imediatos. Algumas simplesmente precisam ser vividas. 

O verdadeiro preço da velocidade pode estar justamente na ilusão de que aproveitamos melhor o tempo quando apenas passamos mais rapidamente por ele. Desacelerar, em uma época que transformou a pressa em sinônimo de eficiência, não significa tornar-se ultrapassado. Antes de tudo, significa recuperar a capacidade de prestar atenção e de refletir e compreender antes de reagir. 

G. P. Silva Rumin

 

 

domingo, 16 de agosto de 2026

Por que alguns livros nunca nos deixam, mesmo após terminada a leitura?

 

Há livros que terminam quando viramos a última página. Outros, porém, parecem apenas começar ali. Fechamos o volume, colocamos de volta na estante, seguimos com nossa rotina, mas alguma coisa permanece reverberando no fundo da mente e ecoando em nossas emoções. Uma frase reaparece durante o dia; uma cena insiste em voltar à memória; um personagem surge inesperadamente enquanto lavamos a louça ou dirigimos para o trabalho.

Foi exatamente essa sensação, a de uma inquietante presença constante, que me tomou após concluir o segundo volume da tetralogia napolitana, de Elena Ferrante, História do Novo Sobrenome.

Curiosamente, não senti a ansiedade de começar imediatamente o próximo livro. Minha necessidade foi outra: pausar. Não porque a leitura fosse cansativa ou a história difícil. Pelo contrário. A intensidade da narrativa foi quase excessiva em seu encanto. Da mesma forma que acontece depois de vivenciarmos um episódio profundamente transformador ou de uma longa conversa que continua ressoando dentro de nós, percebi que precisava de algum distanciamento para compreender tudo o que aquele romance havia despertado em mim.

Foi então que me fiz uma pergunta: por que algumas histórias nos impactam tanto a ponto de nunca nos deixarem? Talvez a resposta esteja no fato de que certos romances não apenas contam uma história; eles nos convidam a habitar um mundo.

Durante a leitura de A Amiga Genial e História do Novo Sobrenome, deixei de acompanhar apenas os acontecimentos da vida de Lenu e Lila. De alguma forma, passei a viver naquele bairro popular de Nápoles, entre suas ruas estreitas, suas famílias marcadas pela violência, seus afetos contraditórios, suas esperanças e frustrações. O cenário deixou de ser apenas o pano de fundo de uma narrativa psicologicamente densa. Ele respira, ganha textura, cheiro, memória. Torna-se um lugar que também habitamos.

Acredito que essa ligação entre o leitor e a história se deva, em grande parte, à escrita de Elena Ferrante. Costuma-se dizer que um texto é poético quando utiliza belas imagens ou metáforas sofisticadas. Ferrante ultrapassa essa definição. Sua escrita, além de construir imagens memoráveis, é poética porque consegue dar linguagem ao que normalmente sentimos, mas não conseguimos explicar. Ela nomeia e descreve, com impressionante precisão, emoções ambíguas, ressentimentos discretos, pequenas humilhações, alegrias quase imperceptíveis e inseguranças que muitas vezes escondemos até de nós mesmos.

Há escritores extraordinários na descrição do mundo exterior. Ferrante parece interessar-se, sobretudo, pelo mundo interior das pessoas enquanto a vida acontece ao redor delas. E essa espécie de magia, construída pelo modo como ela maneja a linguagem, transforma Lenu e Lila em seres de carne, osso, sangue, suor, lágrimas e sorrisos.

Nenhuma delas foi criada para ser admirada o tempo todo. Não há, entre elas, a divisão confortável entre heroína e vilã. Ambas são profundamente contraditórias. Competem e se protegem. Amam-se e invejam-se. Aproximam-se e afastam-se. Ferem uma à outra e, ao mesmo tempo, parecem incapazes de existir completamente separadas. Essa complexidade produz no leitor um poderoso efeito de identificação, porque não encontramos ali personagens exemplares, mas pessoas.

E talvez seja exatamente isso que torne algumas narrativas inesquecíveis. Não nos reconhecemos nos extremos dos personagens perfeitamente virtuosos, tão pouco nos vilões absolutamente perversos. Reconhecemo-nos nas contradições: na insegurança de quem deseja ser visto e amado; na culpa por amar e sentir raiva ao mesmo tempo; no orgulho que nos impede de ceder; no medo da perda que nos faz ceder além do necessário; na inveja que nos envergonha; na admiração que se mistura ao temor de sermos ofuscados.

Quanto mais humano é um personagem, menos ele permanece preso às páginas do livro e mais passa a habitar nossa própria memória. A psicologia oferece uma explicação interessante para esse fenômeno. Quando lemos ficção, nosso cérebro não acompanha apenas uma sequência de acontecimentos. Ele simula experiências. Assim, experimentamos emoções, ensaiamos decisões, sofremos perdas, criamos vínculos e observamos o mundo pelos olhos de outra pessoa. Em certo sentido, vivemos uma vida que não é nossa, mas que, por algumas horas, passa a integrar a nossa experiência.

A literatura amplia nossa memória emocional e cognitiva, acrescentando experiências fictícias ao repertório da existência. Depois de um grande romance, carregamos lembranças de acontecimentos que jamais vivemos, mas que passam a influenciar a maneira como compreendemos o ser humano e o mundo. Talvez seja por isso que alguns livros continuem acontecendo muito depois de terminada a leitura.

Ainda pretendo ler os dois volumes restantes da tetralogia napolitana. Mas, por enquanto, escolhi interromper a jornada por alguns dias. Não porque a narrativa tenha perdido força. Ao contrário. Ela teve força suficiente para exigir silêncio. Alguns livros pedem apenas tempo. Outros pedem elaboração.

Talvez seja essa a maior prova de que uma obra literária cumpriu seu papel: quando deixamos de carregar apenas a lembrança da história e passamos a carregar um pouco da vida de seus personagens dentro de nós. Porque os grandes livros não terminam na última página. Eles continuam escrevendo, em silêncio, novas linhas na história de quem os leu.

G. P. Silva Rumin

 


sábado, 25 de julho de 2026

Toda lembrança é uma narrativa construída por nossa memória?

 

 Costumamos acreditar que nossa memória funciona como um grande arquivo, onde as lembranças de tudo o que vivemos permanecem guardadas, etiquetadas em alguma prateleira, aguardando apenas o momento de serem recuperadas. Mas basta ouvir duas pessoas relatarem um mesmo acontecimento para percebermos que as coisas não funcionam exatamente assim. A memória não apenas conserva os fatos; ela os organiza, seleciona, interpreta e lhes atribui significado. Em outras palavras, transforma a experiência em um relato, tal qual um escritor diante de uma história que decide contar. 

Se isso acontece com a memória individual, por que seria diferente com a memória de uma sociedade? Também os povos constroem interpretações sobre o próprio passado, escolhem o que merece ser lembrado, o que será silenciado e quais acontecimentos se tornarão símbolos de uma época. E a maneira como contamos nossa história coletiva molda nossa identidade e influencia a forma como compreendemos o presente. 

É justamente nesse ponto que a literatura deixa de ser apenas uma manifestação artística para se tornar um espaço privilegiado de preservação da experiência humana e do conhecimento produzido. 

Foi impossível não pensar nisso ao terminar a leitura de Esaú e Jacó, de Machado de Assis. Um romance primoroso, tanto pela refinada arquitetura de sua escrita quanto pela delicadeza com que revisita um dos períodos mais decisivos da história brasileira: a passagem do Império para a República. Embora esse acontecimento sirva de pano de fundo para a trama, Machado não pretende explicar a História como faria um historiador. Seu interesse parece ser outro: revelar como grandes transformações políticas atravessam a vida comum, moldando sentimentos, expectativas e conflitos que os documentos oficiais raramente conseguem registrar. 

Essa impressão me levou, quase naturalmente, ao ensaio Verdade e Política, de Hannah Arendt. Nele, a filósofa distingue a verdade racional da verdade factual, aquela que diz respeito aos acontecimentos do mundo. Sua preocupação reside no fato de que essa verdade é particularmente frágil: ela depende da existência de pessoas dispostas a preservá-la e transmiti-la. Quando o discurso político tenta reduzir os fatos a simples opiniões ou substituí-los por versões mais convenientes, não está apenas mentindo. Está disputando a memória coletiva e, com ela, a própria compreensão da realidade. 

É justamente a partir dessa reflexão que a literatura revela uma de suas funções mais profundas. Se a verdade dos acontecimentos pode ser manipulada, esquecida ou reescrita pelo poder, a ficção preserva uma dimensão que dificilmente cabe nos registros oficiais: a experiência humana. Ela conserva os medos, as esperanças, os dilemas morais, os silêncios e as ambiguidades de uma época. Enquanto a História procura responder ao que aconteceu, os grandes romances frequentemente nos ajudam a compreender como era viver aqueles acontecimentos. 

É exatamente aí que reside a força de Esaú e Jacó. Machado de Assis não nos oferece apenas um retrato da transição entre dois regimes políticos. Ele nos convida a habitar aquele instante histórico, a experimentar as incertezas de um país que mudava suas instituições sem necessariamente transformar, na mesma velocidade, as estruturas da vida cotidiana. Sua ficção não substitui o trabalho do historiador; ela lhe devolve textura, profundidade e humanidade. Ao fazer isso, preserva uma verdade que não pertence apenas aos fatos, mas à experiência de quem os viveu. 

Talvez, então, a pergunta inicial mereça uma pequena reformulação. Toda lembrança é, de fato, uma construção da memória. Mas algumas construções assumem uma responsabilidade ainda maior: impedir que a experiência humana desapareça sob o peso do esquecimento ou da manipulação. Talvez seja essa uma das razões pelas quais continuamos lendo narrativas escritas há milênios. Elas não apenas contam histórias. Tornam-se uma espécie de memória viva da humanidade, preservando mundos que um dia existiram e permitindo que continuem dialogando com o nosso presente.

G. P. Silva Rumin 


sábado, 11 de julho de 2026

O Tempo das Ideias

Vivemos numa época em que tudo parece exigir rapidez: vídeos de quinze segundos, opiniões instantâneas, leituras interrompidas por notificações. Ainda assim, algumas ideias continuam a pedir silêncio. Precisam de tempo para amadurecer, como um romance, um poema ou uma conversa que permanece conosco muito depois de terminar.

É por isso que este espaço volta a existir. Não para competir com a velocidade das redes sociais, mas para seguir na direção oposta. Aqui haverá literatura, história, filosofia e pequenas reflexões sobre aquilo que nos torna humanos.

Se estas palavras encontrarem eco em você, seja bem-vindo. Se estiver retornando, que esta seja uma boa conversa retomada. 

G. P. Silva Rumin